Falha de UEFI atinge quase todos os servidores do mundo
Um pacote sequestra servidores na inicialização pela rede, e PHP2Shell ganha prazo federal.

O resumo de 30 segundos
- Falha no firmware UEFI afeta quase todos os servidores: um pacote malicioso sequestra o equipamento na inicialização pela rede, antes das proteções.
- Brotli já tem varreduras ativas contra instalações x86-64 do Node.js; CISA (agência de cibersegurança dos EUA) exige patch até 10/11.
- PHP2Shell tem exploração confirmada pela CISA, com prazo federal em 29 de outubro; 482.342 tentativas registradas no primeiro dia.
- Código malicioso na Convertr (plataforma de checkout brasileira) copia cartão e CPF em dezenas de lojas de moda desde 24 de outubro.
- Adobe Commerce sofre ataques PolyShell: centenas de lojas invadidas por falha já em exploração ativa, confirma a CISA.
Falha de UEFI sequestra servidores durante inicialização pela rede
Pesquisadores da Anthropic e do Google divulgaram uma falha no código de inicialização (firmware UEFI) presente na maioria dos servidores. Um único pacote malicioso enviado pela rede sequestra o equipamento na inicialização, antes das verificações de segurança.
Segundo os pesquisadores, quase todos os servidores do mundo são afetados. O sequestro ocorre antes de o sistema operacional carregar, quando as defesas ainda não funcionam. Nenhuma correção foi anunciada; cada fabricante precisará publicar atualização de firmware.
Para o time técnico
A CVE-2026-97631 está no TianoCore EDK II, código presente no firmware UEFI da maioria dos servidores. Um único pacote malicioso enviado durante o boot pela rede sequestra o servidor antes da verificação do Secure Boot. A divulgação não menciona correção.
- CVE
- CVE-2026-97631
- Afetados
- TianoCore EDK II no firmware UEFI; segundo os pesquisadores, quase todos os servidores do mundo, com o ataque ocorrendo no boot pela rede
- Exploração
- não informado nas fontes
- Correção
- não informado nas fontes; acompanhar atualizações de firmware dos fabricantes e desativar boot pela rede onde não for necessário
O que fica: Firmware quase nunca entra no escopo de testes de segurança, e falhas ali dão controle total.
Fontes: @IntCyberDigest
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Node2Shell: varreduras atingem instalações padrão x86-64 do Node.js
A falha do Brotli avançou: varreduras ativas e primeiras tentativas de exploração atingem instalações x86-64 de fábrica do Node.js; antes o risco confirmado era em arm64. A CISA exige correção até 10 de novembro.
Aplicações que descomprimem dados externos estão expostas: requisições HTTP comprimidas, respostas de servidores externos e arquivos podem corromper a memória e permitir execução de código. O alcance inclui Bun, pacotes Python, Visual Studio, PowerShell e proxies Envoy e Istio.
Para o time técnico
CVE-2026-111497 é um out-of-bounds write no decodificador Brotli (1.0.3 a 1.2.0, CVSS 9.2). Dados comprimidos maliciosos corrompem a memória e permitem RCE não autenticado em processos que descomprimem conteúdo não confiável. Varreduras ativas relatadas contra instalações padrão x86-64 do Node.js.
- CVE
- CVE-2026-111497, CVE-2026-105482, CVE-2026-105483, CVE-2026-106069, CVE-2026-105481, CVE-2026-106072, CVE-2026-106074, CVE-2026-106070, CVE-2026-106071, CVE-2026-106073
- Afetados
- Node.js 22.x, 24.x e 26.x anteriores às correções; linhas EOL sem correção; Bun antes de 1.4.4; Brotli 1.0.3 a 1.2.0; pacotes Python Brotli e brotlicffi; Envoy e Istio com descompressão Brotli; .NET, Visual Studio e PowerShell antes das atualizações de 25/10
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- Node.js 22.23.4, 24.22.1 ou 26.12.1; Bun 1.4.4; Brotli 1.0.10, 1.1.1 ou 1.2.1; atualizações Microsoft de 25/10; reiniciar serviços e reconstruir contêineres
O que fica: Falha em biblioteca base exige localizar todos os produtos que a embutem, corrigir e verificar um a um.
Fontes: Microsoft, The Hacker News, @ethiack, @HacktronAI, @IntCyberDigest, @BleepinComputer
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →CISA confirma exploração ativa do PHP2Shell com prazo em 29 de outubro
O PHP2Shell ganhou confirmação oficial: a CISA registrou exploração ativa em 26 de outubro, incluiu as falhas no KEV (lista da CISA de falhas já usadas em ataques) e fixou 29 de outubro como prazo federal. Já há exploit público e invasões relatadas.
A escala é grande: a Imperva registrou 482.342 requisições de ataque e 122.311 sessões nas primeiras 24 horas. O PHP roda em cerca de 70% da web, segundo a TechCrunch. Servidores expostos sem atualização podem ser invadidos sem senha.
Para o time técnico
CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619 são use-after-free no PHP 5.4 a 8.5.11, com RCE sem autenticação em configurações que servem requisições web (PHP-FPM, mod_php, php-cgi, FrankenPHP, LiteSpeed). CISA adicionou ao KEV em 26/10 com prazo federal em 29/10; há PoC pública e exploração bem-sucedida relatada.
- CVE
- CVE-2026-109618, CVE-2026-109619
- Afetados
- PHP 5.4 a 8.5.11 em configurações que servem requisições web; versões EOL 8.1 e anteriores sem correção do projeto PHP
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- PHP 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 ou 8.2.35, ou backports de fornecedor (Ubuntu, RHEL, IBM, Siemens, Palo Alto, QNAP); reiniciar serviços e confirmar workers ativos
Fontes: JPCERT/CC, TechCrunch Security, @hakluke
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Google corrige 52 falhas no Chrome; IA da Anthropic escapou da sandbox
O Chrome para desktop ganhou atualização com 52 falhas corrigidas, quatro críticas. Segundo o The Hacker News, a IA Claude, da Anthropic, encontrou dezenas de vulnerabilidades no navegador e montou uma cadeia de exploração funcional que escapou do isolamento do navegador.
Na demonstração, abrir uma página bastou para executar um programa no computador. Uma página maliciosa aberta por um funcionário sem a atualização pode ter o mesmo efeito. As fontes não relatam ataques reais; a correção já está disponível.
Para o time técnico
Atualização do Chrome para desktop corrige 52 vulnerabilidades, 4 críticas. The Hacker News relata que Claude (Anthropic) identificou dezenas de falhas e encadeou exploits multiestágio com escape de sandbox; em demonstração, carregar uma página executou a Calculadora no macOS. CVEs específicos não citados nos itens-fonte.
- Afetados
- Chrome para desktop anterior à nova atualização; versão específica não informada nos itens-fonte
- Exploração
- não observada
- Correção
- atualizar o Chrome em toda a frota de desktops, reiniciar o navegador e confirmar que a atualização automática está ativa
Fontes: @TheHackersNews 1, @TheHackersNews 2
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Código na Convertr rouba cartão e CPF em lojas de moda brasileiras
Hackers esconderam código malicioso em um arquivo de estatísticas da Convertr, plataforma brasileira que opera lojas online e checkouts de dezenas de marcas de moda. O código copia número do cartão, validade, CVV, nome do titular e CPF desde 24 de outubro.
Quem pagou nesses sites pode ter dados completos do cartão e o CPF copiados, o que permite fraude financeira. A Sansec, empresa holandesa de segurança de e-commerce, descobriu o caso; avisou a Convertr e não teve resposta. O arquivo infectado seguia no ar.
Para o time técnico
Skimming via script de analytics da Convertr: um único arquivo de estatísticas hospedado pela plataforma carrega em todos os checkouts e captura cartão (número, validade, CVV, titular) e CPF desde 24/10. Descoberto pela Sansec; segundo a empresa, o grupo é brasileiro e monitorado desde julho de 2024.
- Afetados
- lojas e checkouts operados na Convertr (páginas com checkout.convertr); quantidade de marcas e vítimas não informada nas fontes
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- não informado nas fontes; Sansec avisou a Convertr sem resposta e o arquivo infectado seguia no ar
O que fica: Um script de terceiro comprometido atingiu todas as lojas de uma vez; revisar e monitorar esses scripts protege o checkout.
Fontes: @namcios, @BleepinComputer
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →CISA confirma exploração de falha de leitura de arquivos na Atlassian
A CISA registrou exploração ativa de uma falha crítica em oito produtos Atlassian da linha Data Center, entre eles Confluence, Jira e Bitbucket. Um atacante sem senha consegue ler arquivos internos da aplicação. A watchTowr publicou detalhes técnicos em 27 de outubro.
Arquivos internos podem conter credenciais e segredos que facilitam invasões maiores. O Atlassian classifica a falha como crítica, nota 9.3, e publicou versões corrigidas em 5 de outubro. Instâncias Data Center acessíveis à internet precisam de patch hoje.
Para o time técnico
CVE-2026-21589: leitura arbitrária de arquivos pré-autenticação, do diretório raiz da aplicação, em oito produtos Atlassian Data Center, incluindo Confluence, Jira e Bitbucket. CVSS 9.3. Adicionada ao KEV em 26/10/2026; watchTowr publicou detalhes técnicos em 27/10/2026.
- CVE
- CVE-2026-21589
- Afetados
- oito produtos Atlassian Data Center, incluindo Confluence, Jira e Bitbucket; versões específicas no aviso do fabricante
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- versões corrigidas publicadas pelo Atlassian em 05/10/2026; produtos Cloud já corrigidos; enquanto não atualizar, restringir acesso externo ou aplicar WAF
Fontes: NVD, Atlassian, @luckyhacker43
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Zero-day do PeopleSoft era três falhas encadeadas, mostra ZDI
Uma análise técnica divulgada hoje mostra que o zero-day do Oracle PeopleSoft usado em ataques recentes reúne três falhas encadeadas, corrigidas em um único patch. Um desvio de requisições internas contorna controles de acesso e leva à execução de código sem senha.
PeopleSoft concentra dados de RH e processos internos da empresa. Com execução de código sem autenticação, o atacante assume o servidor e esses dados. Os ataques foram atribuídos ao grupo ShinyHunters pelo The Hacker News; a correção já existe e deve ser aplicada.
Para o time técnico
CVE-2026-35273: cadeia de três falhas em Oracle PeopleSoft, corrigidas sob um único CVE. A análise da ZDI, por Bobby Gould, detalha uma SSRF que bypassa controles de acesso internos e culmina em RCE não autenticado, com demo em vídeo. Ataques recentes atribuídos a ShinyHunters pelo The Hacker News.
- CVE
- CVE-2026-35273
- Afetados
- Oracle PeopleSoft; versões específicas não informadas nos itens-fonte
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- as três falhas foram corrigidas sob o CVE-2026-35273; aplicar o patch e revisar logs anteriores à correção
Fontes: @thezdi, @TheHackersNews
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Apple leva correção de zero-day explorado a iPhones e iPads antigos
A Apple publicou o iOS 18.7.11 e o iPadOS 18.7.11, que levam a correção de uma falha já usada em ataques reais a aparelhos antigos. A falha, no processamento de arquivos gráficos, já tinha correção nos sistemas mais novos desde o fim de setembro.
A Apple descreveu os ataques como extremamente sofisticados e, segundo The Hacker News, disse que podem ter atingido indivíduos específicos. Um arquivo malicioso processado pelo aparelho pode executar código sem autorização. Aparelhos antigos sem a atualização permanecem expostos.
Para o time técnico
CVE-2026-86950 (CVSS 8.8): out-of-bounds write no CoreGraphics com execução arbitrária de código ao processar arquivo maliciosamente criado. Explorada como zero-day em ataque que a Apple descreve como extremamente sofisticado, possivelmente direcionado a indivíduos específicos. Correção backported para iOS e iPadOS 18.7.11.
- CVE
- CVE-2026-86950
- Afetados
- iPhones e iPads antigos em versões anteriores à 18.7.11; modelos específicos não informados nos itens-fonte
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- iOS 18.7.11 e iPadOS 18.7.11; sistemas mais novos já corrigidos desde setembro
Fontes: @BleepinComputer, SecurityWeek, @TheHackersNews, The Hacker News
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Campanha testmetest armou 42 repositórios GitHub legítimos
A JFrog relata que a campanha de pacotes npm testmetest comprometeu 42 repositórios GitHub de 11 donos legítimos, incluindo uma organização. O código malicioso executa quando um desenvolvedor abre o projeto em ferramentas como Claude, Gemini, Cursor e VS Code.
Ao abrir um projeto contaminado, a máquina do desenvolvedor executa código que rouba tokens e publica novos pacotes maliciosos em nome do dono. Arquivos grandes demais para a busca do GitHub dificultavam a detecção em auditorias comuns. Trocar credenciais de GitHub e npm é urgente.
Para o time técnico
JFrog (26/10): a campanha testmetest armou 42 repositórios de 11 donos legítimos. Hooks ocultos para Claude, Gemini, Cursor e VS Code executam .github/init.js ao abrir o projeto. Wrappers polimórficos de 12,9 a 13,7 MB excedem o limite da busca de código do GitHub; payloads novos usam native addon (.napi_cache, XOR 0x96) e recusam execução em CI, containers e debuggers. O publisher usa tokens npm roubados ou GitHub OIDC trusted publishing.
- Afetados
- 42 repositórios GitHub de 11 donos legítimos, incluindo uma organização; pacotes npm da campanha testmetest
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- não informado nas fontes; rotacionar credenciais de GitHub e npm e auditar repositórios por enumeração da árvore Git, não por busca de código
O que fica: Repositório de dono conhecido pode estar comprometido; revisar arquivos e configurações antes de abrir protege o desenvolvedor.
Fontes: @DailyDarkWeb
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →PolyShell: centenas de lojas Adobe Commerce invadidas em exploração ativa
Ataques batizados de PolyShell invadiram centenas de lojas em Adobe Commerce e Magento, segundo The Hacker News. A CISA adicionou a falha explorada ao KEV em 27 de outubro e fixou 10 de novembro como prazo federal.
A falha permite envio de arquivo perigoso ao servidor, com execução de código e possível controle da conta e da sessão da loja, segundo a CISA. Toda loja em Adobe Commerce ou Magento sem mitigação está em risco, com prazo até 10 de novembro.
Para o time técnico
CVE-2026-48356: upload irrestrito de arquivo de tipo perigoso no Adobe Commerce e Magento, com execução arbitrária de código no contexto do usuário atual e possível acesso elevado ou controle da conta e da sessão. Adicionada ao KEV em 27/10/2026, prazo federal em 10/11/2026. Ataques PolyShell invadiram centenas de lojas, segundo The Hacker News.
- CVE
- CVE-2026-48356
- Afetados
- Adobe Commerce e Magento; versões específicas não informadas nos itens-fonte
- Exploração
- ativa confirmada
- Correção
- aplicar correções e mitigações do fornecedor conforme BOD 26-04 e os requisitos de triagem forense da CISA; sem mitigação, suspender o uso do produto
O que fica: Upload de arquivo malicioso é ataque clássico; testar essa entrada e corrigir rápido evita loja invadida.
Fontes: CISA KEV, The Hacker News
No radarAcompanhe este incidente ao vivo →Pra fechar
Falhas em componentes de base dominaram o dia: do firmware do servidor ao decodificador embutido em dezenas de produtos. Entre a divulgação e a exploração ativa passaram dias, às vezes horas. Corrigir, reiniciar e confirmar a correção segue sendo a defesa que funciona.
Quantos sistemas ainda rodam versões não corrigidas neste momento?
A maioria das falhas exploráveis só aparece quando alguém procura por elas.
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